IRRIGAÇÃO

A agricultura é a atividade econômica que mais gasta água. E no momento em que sediscute o uso racional do recurso hídrico, a utilização da irrigação naprodução agrícola é questionada. No Brasil, são 3,4 milhões de hectaresirrigados, que respondem por 16% da produção nacional. A maior parte, cerca de700 mil hectares, está na região do semi-árido, no Nordeste do País, 1,5 milhãona região Sul, 900 mil no Sudoeste e o restante no Centro-Oeste.

Para ter melhor aproveitamento doequipamento e evitar desperdícios de água, especialistas chamam a atenção paraa necessidade de elaboração de projetos de irrigação. A definição do sistema deirrigação depende do tipo de solo, cultura a ser implantada, clima e topografiado terreno. Segundo o engenheiro agrônomo e especialista em irrigação daFaculdade de Engenharia de Ilha Solteira (SP), Fernando Braz TangerinoHernandez, cabe ao produtor utilizar bem ou não esse recurso.

Ele diz que em sistemas de irrigação éimportante não apenas ligar canos, porque se o projeto for malfeito ou nãoexistir, o produtor vai desperdiçar água e não terá condições de fazer um usoeficiente. "É possível ter todos os sistemas de irrigação bem projetadospara entregar água na quantidade e no momento certo", ressaltou.

O gerente executivo da Superintendência deUsos Múltiplos da Agência Nacional das Águas (ANA), Devanir Garcia dos Santos,diz que o uso racional da água é feito por meio da redução das perdas,monitoramento do equipamento com manutenções periódicas e ainda complanejamento e acompanhamento da irrigação. O executivo, que também éengenheiro agrônomo e mestre em gestão econômica do meio ambiente, esclareceque hoje existem planilhas eletrônicas que permitem predizer a necessidade deágua na lavoura durante um ano e quanto seria preciso irrigar todos os dias.

Segundo ele, se o agricultor fizer ocontrole de chuvas e a partir de sua irrigação, a quantidade que choveu, eleconsegue colocar a água exatamente dentro da necessidade da cultura. "Oque não pode ocorrer é uma má utilização do método de irrigação. A ANA temtrabalhado muito na questão do uso racional da água na irrigação", disse.

 

Sistema adequado proporciona economia

O método de irrigação é a forma como a águavai chegar ao solo. Os principais são: superfície, aspersão e localizada.Dentro dos métodos existem os sistemas de irrigação, que são aspersãoconvencional, pivô central, autopropelido, aspersão em malha ou tipo faixa. Nocaso de irrigação localizada existe o gotejamento e o microaspersão.

A diferença entre uma irrigação localizadae uma de aspersão é que a primeira molha apenas parte do sistema radicular daplanta e a outra imita uma chuva. O especialista em irrigação Fernando Hernandez reforça que, apesar de existir vários tipos desistemas, o melhor é aquele que se adéqua às condições de solo, clima,topografia e cultura. Em condições perfeitas de funcionamento, os sistemas deirrigação recebem outorga da ANA.

O gerente executivo da Superintendência deUsos Múltiplos da ANA, Devanir Garcia, diz que a indústria de irrigação evoluiumuito nos últimos anos e que hoje existem sistemas que economizam água. "Oagricultor precisa estar atento para utilizar adequadamente os equipamentos,que devem ser implantados onde os estudos e planos de recursos hídricosapontarem que existe disponibilidade de água para irrigação", alertou.

Segundo ele, não se pode condenar o métodopelo método. Devanir Garcia explica que as perdas de água podem acontecer emqualquer sistema de irrigação, caso este não seja bem planejado e não recebamanutenção periodicamente. Ele conta que um estudo realizado pela ANA, háquatro anos, no Nordeste, identificou perdas enormes no sistema de irrigaçãolocalizada por falta de manutenção. "Haviam partes entupidas e produtoresirrigando solos que já tinham umidade suficiente", lembrou.

Produtor precisa fazer todos os cálculos

Antesde optar por qualquer sistema de irrigação, o produtor precisa fazer cálculospara certifica-se de qual será a melhor opção. É necessário levar em consideraçãoo tipo de solo, clima, mas, principalmente, a cultura e o estágio em que ela seencontra. Um desses cálculos é o da evapotranspiração, que é a perda de águapor evaporação do solo e transpiração da planta. Esse valor é o que precisa serreposto pela água.

O engenheiro agrônomo Fernando BrazTangerino Hernandez conta que quem plantou em novembro não deve colher o quantogostaria, porque foram 21 dias sem chuvas. "Os produtores plantaram apósuma chuva e na fase de desenvolvimento da planta faltou água", disse.Segundo ele, o uso correto da água é aquele que repõe a quantidade perdida porevapotranspiração e a melhor forma de estimar isso é via atmosfera ou por meiode um sensor no solo", explicou o especialista.

Fernando Hernandez ressalta que na regiãoexistem meios para fazer o controle do uso da água, como a estaçãometeorológica da Universidade Federal de Uberlândia e o trabalho realizadopelas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu). O engenheiro agrônomo diz que osagricultores estão mais conscientes sobre a importância de se economizar orecurso hídrico, embora a diferença tecnológica entre eles seja muito grande.

Segundo ele, faltam campanhas educativaspara despertar a consciência dos produtores e para fazer com que aevapotranspiração se torne uma prática. "A consciência está aumentando àmedida que a água bate no joelho. Aí, ou a água está faltando ou o produtor égrande e sabe que o meio milímetro que ele economiza faz a diferença, porque aescala dele é grande", justificou.

Cobrança da água já é realizada

As bacias do Paraíba do Sul e do Piracicabajá cobram dos produtores rurais das regiões de abrangência o uso da água. Oprodutor paga um determinado valor, baseado no Preço Público Unitário (PPU), emfunção do volume que consome. Na região da Paraíba do Sul, que envolve SãoPaulo, Rio de Janeiro e parte de Minas Gerais, a quantia é de R$ 0,0005 pormetro cúbico.

A região do Triângulo Mineiro faz parte dasbacias do Rio Grande e do Paranaíba. Em ambas ainda não existe a cobrança pelouso da água. O gerente executivo da Superintendência de Usos Múltiplos daAgência Nacional das Águas (ANA), Devanir Garcia dos Santos, diz que a cobrançaé uma forma de sinalizar que a água é um bem econômico e que tem valor, mas quea cobrança e o valor são definidos pelo comitê de cada bacia.

Devanir Garcia defende que o valor cobradodos agricultores deve ser baixo mesmo e que a atividade tem que funcionar comouma prestadora de serviços. "Temos que instituir o que chamamos de boaspráticas e aplicar uma tabela crescente de valores", disse o gerenteexecutivo ressaltando que o importante não é o valor pago, mas o que o produtorfizer em termos de uso racional.

Segundo Devanir Garcia, a escassez derecursos hídricos é mais um problema de gestão, porque a quantidade de água quechove é a mesma, só que está caindo sobre áreas totalmente desprotegidas."O ideal é que a chuva infiltrasse na terra, alimentasse o lençol freáticoe fosse distribuída no ambiente de forma parcelada para que houvesse umidade nosolo o ano inteiro", explicou.

Devanir Garcia diz que é necessário eurgente investir em conservação do solo, em melhoria das propriedades e emagricultura sustentável. "Estamos tendo falta nos períodos secos e excessonos chuvosos", justificou.

Tipos de irrigação

Superficial ou por gravidade ? A água éaplicada de modo que pela ação da gravidade desça, atingindo as raízes dasplantas. Ideal em terrenos planos e no cultivo de arroz.

Aspersores ? A água é bombeada para cima ecai atingindo a planta de maneira semelhante à chuva. Normalmente utiliza pivôcentral. As culturas que mais empregam esse método são as de feijão e de soja eas grandes plantações em geral.

Gotejamento ou localizada ? A água éconduzida por tubulações com buracos pequenos até o pé da planta. Apresentacustos elevados, sendo utilizado geralmente em culturas nobres como afruticultura.

Utilização de forma racional

Em um dia normal no mês de novembro aevapotranspiração de referência é de 5 milímetros/dia para uma lavoura de 100 hectares de milho,plantada há um mês. Neste caso, o coeficiente de cultura é de 0,4. Com autilização de pivô central, esse produtor gasta por dia 20 mil litros porhectare, que no total corresponde a dois mil metros cúbicos para irrigar toda aárea.

Um produtor vizinho, com a mesma cultura eárea, está com a lavoura em fase de enchimento de grão, com aproximadamente 70dias. Essa fase exige a máxima extração de água, por isso, o coeficiente decultura seria de 1.2. Com isso, o vizinho gasta por dia seis mil metros cúbicospara irrigar a mesma área.

Fonte:Margareth Castro. Correiode Uberlândia

Precisando de algo? Solicite um orçamento grátis!