POTENCIAL DE IRRIGAÇÃO DO BRASIL PREJUDICADO PELA FALTA DE CRÉDITO

O Brasil tem terra e água disponíveis para irrigar uma área de aproximadamente 30 milhões de hectares, no entanto a área irrigável hoje é de apenas 3,5 milhões de hectares, contabilizando todo tipo de irrigação (inundação, pivô central, gotejamento, sulcos, etc.).

Para os empresários rurais, o uso de novas tecnologias nas lavouras é fundamental, e a irrigação é a principal alternativa, onde os resultados podem proporcionar um ganho de produtividade em determinadas culturas, da ordem que superam os 100%.

�Compara a área irrigada de outros países, entre eles os EUA, a área irrigada do Brasil ainda é insignificante�, afirma o presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq (Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos).

Mesmo com uma área tão pequena, a área irrigada brasileira contribui com mais de 20% do total da safra agrícola, o que demonstra a eficiência do uso dessa tecnologia.

Mas, no eixo do desenvolvimento e aumento desta área irrigada nacional, está a dificuldade dos empresários rurais em conseguir as outorgas de uso das águas, tanto no domínio federal como estadual, e também o limitado volume de crédito disponível para aquisição de equipamentos novos.

Hoje, o governo federal libera cerca de R$ 200 milhões de reais em linha de crédito para investimento em sistema de irrigação, montante ainda insuficiente para a demanda, sendo que este volume é para atender todo país.

O mercado de sistemas de irrigação movimentou no ano de 2002 R$ 250 milhões, mas as empresas associadas a Abimaq afirmam que este volume poderia chegar facilmente aos R$ 750 milhões anuais.

A irrigação no Brasil é promissora, tanto pelo seu potencial de áreas novas a serem exploradas, como nos investimentos que as empresas do setor estão fazendo. A FAO, órgão de agricultura e alimentos da ONU, acredita em um crescimento em torno de 20% anualmente.

A maior parte da área irrigada no Brasil (50%), está na região sul, mais precisamente no Rio Grande do Sul, com um sistema considerado hoje �ultrapassado� � Inundação. Do lado oposto ao da região sul, está o oeste baiano, que utiliza o que há de mais moderno, possuindo hoje cerca de 700 pivôs e irrigando uma área aproximada de 75 mil hectares.

As barreiras contra a irrigação são muitas, principalmente quando se ouve ambientalistas sem muito conhecimento de causa, propagarem que o aumento da irrigação causará a escassez de água, a falta de energia, a degradação do solo, etc., mas o maior problema na realidade, é a falta de crédito por parte das instituições financeiras, que tem obrigado as próprias fábricas a financiarem a aquisição de equipamentos novos.

Mas para que estes financiamentos possam ser liberados, existe a exigência das outorgas de água, que também estão sendo dificultadas e em muitos casos, os processos têm seu trâmite nos órgãos licenciadores prejudicados pela má qualificação dos técnicos, pela falta de estrutura e outros fatores que fogem à responsabilidade dos empresários rurais.

Talvez esteja no tempo de uma grande mobilização nacional dos irrigantes, mostrando a importância de seu trabalho, o ganho regional, nacional e mundial com a implantação de novas áreas e tecnologias disponíveis, já que a população mundial vem crescendo e necessitando cada vez mais de alimentos, que só são produzidos porque muitos homens bem intencionados continuam, apesar das dificuldades, proporcionando condições de produção.

Ref.: Revista Agrinova nº 30/2003

Artigo: A irrigação faria chover no agronegócio se tivesse mais crédito.

Precisando de algo? Solicite um orçamento grátis!